Nova doença do milho provocou perdas superiores a 20% na produção do Sudoeste

O enfezamento do milho provocou grandes perdas em lavouras da região Sudoeste do Paraná na safra normal 2020-21 e deverá causar mais prejuízos na safrinha. A estimativa do Instituto de Desenvolvimento Rural (IDR/Iapar) é que em decorrência do enfezamento, que tem como vetor a cigarrinha, a quebra em produção tenha chegado a 22% na safra normal. Diante desta situação, técnicos e agricultores terão de aprender a conviver com esta doença.

Para entender a doença e seus impactos no campo, ontem, em Francisco Beltrão, aconteceu o seminário regional “O complexo de enfezamento na cultura do milho”. Técnicos do IDR-PR, da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab), presidentes de câmaras de vereadores, secretários municipais de Agricultura, os chefes regionais do IDR-PR, Carlos Alberto Wust da Silva, e da Seab, Denise Adamchuk, o presidente da Acamsop, Marcus Bras, e o prefeito Marciano Vottri, coordenador da comissão de agricultura da Amsop, representando o presidente da entidade, Nilson Feversani, assistiram às palestras e debateram formas de combate.

Na abertura, o secretário estadual de Agricultura, Norberto Ortigara, fez um pronunciamento por videoconferência. Marcus Braz, presidente da Associação das Câmaras Municipais do Sudoeste do Paraná (Acamsop), comentou que “essa demanda surgiu de um vereador da Câmara de Bom Jesus do Sul. Ele fez um ofício para a Acamsop e prontamente a gente levou isso pro Beto e a Denise, pedindo explicações. Logo em seguida conversamos com o Beto e a Denise e alinhamos o que poderíamos fazer em relação ao enfezamento do milho. Hoje estamos reunidos com tantas pessoas do Sudoeste, prefeitos, vereadores, secretários de Agricultura pra entender melhor o que essa praga provoca no milho, que é de região mais quente e está atingindo a nossa região, mais fria”.

Um dos palestrantes do encontro foi o engenheiro agrônomo Edvan José Possamai, IDR-PR de Pato Branco, que vem acompanhando o problema nas lavouras. “É uma doença nova pra nós. A gente tinha informação da ocorrência dela na região mais quente, tropical. Nesta última safra a tivemos a confirmação dela na região Sul e Sudoeste do Paraná. Aí no Sudoeste nós tivemos ela de forma muito expressiva. Nós tínhamos muitos relatos de produtores e o acompanhamento da assistência técnica e do IDR. Só que a confirmação só se dá por exames laboratoriais, então foram coletadas amostras pelo IDR e Iapar, e essas amostras confirmaram a presença do patógeno, a cigarrinha é apenas o vetor da doença, e essas amostras confirmaram a presença de patógenos, com a distribuição de Capanema a Palmas, então uma distribuição em todo o Sudoeste”.

O agrônomo disse, ainda, que “tivemos relatos de produtores com perdas de 70% e até 80% das suas lavouras. É uma informação da produtividade média na região, que não é só consequência da cigarrinha, do enfezamento, mas a gente teve uma redução da ordem de 30% na produção que pode ter sido em função de questões climáticas, mas que foi decorrente do complexo do enfezamento na cultura do milho. É uma situação que nos deixou extremamente preocupados porque nós não tínhamos relatos da presença dessa doença na região e ai ela entra, e associada a uso de cultivares híbridos de milho que apresentavam suscetibilidade das lavouras, ela apresentou uma redução significativa das produtividades”.

Fonte e foto: Jornal de Beltrão

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *