Mãe de santo esclarece sobre rituais de religiões Afro Brasileiras

A repercussão sobre uma matéria divulgada neste sábado, 6, no site e na página do Facebook da Rádio Ampére sobre um ritual realizado em um cemitério de uma comunidade do interior do município gerou diversos comentários em relação ao fato. Nossa reportagem foi procurada pela mãe de santo Rosa De Obá, que tem a casa “Umbanda Traçada De Nação Ketu” e “terreiro “Caboclo Pena Branca e Ogum Mêgê”, no município, para expor a posição dela.

Mãe Rosa De Obá lamenta os comentários feitos no Facebook, pois foram expostos termos pejorativos e ofensivos contra outras religiões, entre elas as Afro Brasileiras. “Sou moradora de Ampére a mais de 20 anos e fiquei decepcionada com a falta de respeito de algumas pessoas. Houve uma generalização sobre o ritual que não condiz com o que seguimos. Temos que mostrar para as pessoas que existem outros segmentos religiosos e cada um deve respeitar o outro.”

Sobre o ritual feito no cemitério da comunidade do Planaltinho, zona rural do município, citado na matéria, ela esclarece que não existe magia negra no despacho feito no local. A religiosa ainda destaca que existem diversos rituais. “Sou sacerdote Umbanda, filiada à Federação Umbandista do Paraná, que tem sede em Curitiba, e reforço que dentro das religiões existem suas doutrinas e cada um segue um perfil. As pessoas generalizam nos chamando de “macumbeiros”, mas estão completamente enganados. Não fizemos mal a ninguém, temos nossa religião, cultuamos nosso Deus e queremos respeito”, enfatiza ela.

Ela ainda informa que a religião Umbanda não deixa sujeira no local onde realiza ritual. “Não fizemos isso que estava no cemitério. Nosso culto se baseia em pontos de força da natureza e o cemitério é um ponto que tem uma força muito grande. Nós não acreditamos que a morte é o final. É um renascimento para a vida espiritual e o cemitério, chamado por nós de Kalunga, é um espaço que tem um grande significado espiritual. Nossa doutrina não deixa lixo em pontos de força.”

Mãe Rosa De Obá contou a reportagem que já foi agredida por pessoas de forma verbal e até fisicamente, tendo que tomar atitudes jurídicas em relação aos fatos ocorridos. “Eu lamento a forma que foi noticiado e principalmente os comentários feitos no Facebook da Rádio Ampére, alguns discriminatórios e com peso grande de intolerância religiosa.”

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