Apesar da geada e dos ventos, região sudoeste deve ter uma das melhores safras de trigo

Quase todo o trigo plantado nos 27 municípios da microrregião de Francisco Beltrão está colhido. O Departamento de Economia Rural da Secretaria de Estado da Agricultura (Deral/Seab) estima que a colheita aconteceu em 70% dos 113 mil hectares plantados. Neste ano, aliás, a área destinada ao plantio de trigo cresceu 20% em comparação com 2020.

O desenvolvimento da cultura animou os produtores. Mas, cerca de 15% das lavouras foram atingidas pela geada de maio, na chamada fase de emborrachamento do trigo, e nestes pontos a produtividade foi menor – cerca de 90 sacas por alqueire. O restante das lavouras teve bom rendimento, chegando a 140 sacas e com PH (peso do hectolitro) até superior a 80. Grãos com PH acima de 78 são considerados de boa qualidade.

“Foi um ano de produtividade e qualidade ótimas, porém, nesta fase final vieram as chuvas – necessárias – e os ventos causaram acamamento em algumas áreas. Com isso, se perde muito em relação à qualidade, principalmente. O volume pode ser o esperado inicialmente, mas o PH caiu muito e, consequentemente, o preço pago ao produtor”, comenta Antoninho Fontanella, técnico do Deral/Seab em Francisco Beltrão.

O acamamento acontece devido aos fortes ventos e deixa as plantas pendidas. Com isso, a incidência de sol é menor e a umidade aumenta, prejudicando a qualidade. O trigo com PH menor é destinado à fabricação de rações, por exemplo, e por isso tem preço menor. Mas o Deral aponta que mesmo os grãos de classificação inferior estão com preço mais próximo dos de primeira qualidade que em outros anos, ou seja, mesmo quem teve perdas vai conseguir ser melhor remunerado que nas safras passadas. O agrônomo Adriano Bressiani Machado, da Coasul, comenta que nesta safra não há uma uniformidade tão grande entre as lavouras, boa parte em função das chuvas mais irregulares e localizadas. “Tem área que produziu 80 sacas [por alqueire] e tem área que chegou a 160.” Em relação ao acamamento, ele cita que algumas lavouras foram bastante afetadas, mas que o manejo, tipo de solo e da cultivar podem ajudar a amenizar os impactos dos ventos fortes nas plantas.

Fonte e foto: Jornal de Beltrão

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *