Prejuízos no agronegócio já chegam a R$ 2,7 bilhões

Os 27 municípios da região de Francisco Beltrão decretaram situação de emergência hídrica devido à estiagem que vem se prolongando desde a Primavera de 2021. Os laudos com os prejuízos causados pela seca no setor do agronegócio dos 27 municípios da safra 2021-2022 já foram encaminhados para a Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab), em Curitiba.

O relatório com as perdas foi feito com o acompanhamento dos técnicos do Departamento de Economia Rural da Seab dos núcleos de Beltrão e Dois Vizinhos e auxílio de técnicos do IDR-PR, cooperativas agropecuárias e empresas de assistência técnica.

Os dados apontam, até o momento, prejuízos de aproximadamente R$ 2,7 bilhões para a economia. Sexta-feira, 28, em entrevista à Rádio Onda Sul, Antoninho Fontanella, técnico do Deral/Seab de Beltrão, repassou os prejuízos.

Na soja foram plantados 294.270 hectares. A produção esperada era de 1.147.000 toneladas. Devido à estiagem, até a semana passada, houve uma quebra de 60% na estimativa – equivalente a 11,2 milhões de sacas. Pelo menos R$ 1.910.000 deixarão de circular na economia regional devido aos prejuízos causados nas lavouras de soja.

A previsão de produtividade de 127 sacas por alqueire foi reduzida para 50 sacas. “Tem muitas lavouras que a produção não vai cobrir os custos de implantação”, adianta Antoninho Fontanella, técnico do Deral/Seab de Beltrão. A produtividade média, atual, está variando entre 800 a 1.200 sacas por hectare. A estimativa inicial era de uma produtividade média de 3.900 a quatro mil quilos por hectare.

Na soja, além da queda na produtividade e produção, outro problema é a qualidade dos grãos. Os produtores devem ter problemas no momento da comercialização perante as cerealistas para conseguir um preço bom devido à menor qualidade do produto colhido.

Milho para grão
No milho, para uso como grão, foram plantados 17 mil hectares e a previsão inicial era de colheita de 170 mil toneladas.

“Hoje, 60% da safra está perdida.”

Havia previsão de colheita de 172 mil toneladas do produto e uma média de 400 sacas por alqueire. Mas a média de produtividade, agora na colheita, está na faixa de 150 a 160 sacas por alqueire.

Muitas destas lavouras que estão sendo colhidas, os produtores vão usar as plantas para a produção de silagem que será fornecida como alimentação para os rebanhos de bovinos de corte ou leite.

Milho para silagem
No milho destinado à produção de silagem foram plantados 34 mil hectares e a perspectiva era de produção de 1.530.000 toneladas. Esse milho transformado em silagem é para alimentar os rebanhos leiteiro e de corte.

O valor aproximado que deixará de circular na economia do Sudoeste deve chegar a R$ 550 milhões no milho para silagem.

Plantio de feijão
No feijão, a área ocupada na primeira safra foi pequena, de apenas 1.850 hectares. A primeira safra, que vai de setembro a dezembro, é plantada basicamente para consumo próprio ou produção de sementes.

Na microrregião, foram plantados 1.850 hectares e a previsão de colheita era de quatro mil toneladas. Pela estimativa do Deral/Seab, foram perdidas 1.600 toneladas – quebra de 40%.

Produção de leite
Na bacia de leite houve uma redução de 35%, o equivalente a 70 milhões de litros em três meses. Hoje, a redução está em 35% dos últimos três meses. Os valores que estariam deixando de movimentar na economia chegariam a R$ 140 milhões no leite. A perspectiva é que haja problema de produção por causa das pastagens secas e a escassez de silagem.

Na estimativa geral, no momento, os prejuízos gerais estariam em R$ 2.770.000 nestas principais atividades econômicas da região. Estes valores e produções a menos vão influenciar na formação do índice do fundão do ICMS e no Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) dos municípios e do Estado do Paraná. “Os municípios, com certeza, vão sofrer.” Com menos dinheiro circulando na economia regional, deve ocorrer impacto em várias atividades. As próprias cerealistas vão receber menores quantidades de grãos, o comércio de bens duráveis – eletrodomésticos, eletrônicos e veículos e máquinas – devem sofrer este impacto. Antoninho acredita que as perdas e os valores tendem a aumentar ao longo de fevereiro e março, quando ocorre a colheita da soja.

Valores podem ser ainda maiores
As estimativas não somam os custos de implantação das lavouras – sementes, insumos e defensivos agrícolas. Se for considerar os valores gastos e que foram perdidos devido à escassez hídrica, os valores são ainda maiores.

Fonte e foto: Jornal de Beltrão

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