O Programa de Pós-Graduação em Saúde, Bem-Estar e Produção Animal Sustentável na Fronteira Sul (PPG-SBPAS), da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) – Campus Realeza, teve três vagas contempladas na Rede UniClima Global para capacitação de curta duração no exterior, em 2027. Os destinos são a Purdue University, nos Estados Unidos, e a Universitat Autònoma de Barcelona (UAB), na Espanha. As bolsas buscam fomentar a cooperação internacional e o desenvolvimento de competências frente aos impactos climáticos, considerando de forma integrada as dimensões da saúde humana, saúde animal e saúde ambiental.
Os selecionados são o professor Paulo Henrique Braz, o mestrando Andriel Gustavo Felichak e o professor Fernando Reimann Skonieski, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), que também é docente permanente do PPG-SBPAS. As bolsas fazem parte do programa CAPES-Global.edu (Edital nº 13/2025). Por meio dele, a UFFS integra a Rede UniClima Global, liderada pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). Também foram contempladas as egressas Ana Letícia Marques e Marina Marangoni, atualmente doutorandas na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), selecionadas no âmbito da Rede Teias, da UFMS. Ambas são orientadas pelo professor Paulo Braz.
Parceria com a Purdue já tem histórico
O professor Paulo Braz explica que a parceria com a Purdue não é casual, e o histórico de relação com a universidade americana se dá por meio de projetos ligados ao Serviço de Atendimento a Animais Silvestres, assim como de pesquisas com os animais silvestres do Parque Nacional do Iguaçu. “Possuímos a maior cobertura de Mata Atlântica no Paraná, próxima a nós, o Parque Nacional do Iguaçu. Ali temos uma rica biodiversidade de animais que tem sido impactada por fatores climáticos e sociais. A contemplação com a bolsa irá permitir que outros estudos sejam desenvolvidos, comparativamente ao que ocorre com animais de vida livre nos parques americanos”, comentou o professor.
O professor Paulo Braz e o mestrando Andriel Felichak viajam em setembro de 2027, para a Purdue University, onde desenvolverão o projeto “Biomarcadores fisiológicos e moleculares na avaliação da saúde de animais silvestres frente aos impactos das mudanças climáticas”. As egressas Ana Letícia Marques e Marina Marangoni, que concluíram o mestrado no PPG-SBPAS, participarão do intercâmbio com projetos independentes desenvolvidos sob a orientação do professor Paulo Braz, no Programa de Pós-Graduação em Ciências Veterinárias (PPG-CiVet) da UFMS. As pesquisas seguem a mesma linha, voltada ao diagnóstico de doenças em animais silvestres.
Na Purdue University, os pesquisadores participarão das aulas de Clinical Pathology, ministradas pela docente responsável pela disciplina, e terão coorientação de professores da instituição. A rotina inclui acompanhamento de pesquisas em execução pelo grupo, coletas e processamento de materiais de animais silvestres, além de participação em atividades de campo e laboratoriais. “Com as mudanças climáticas, muitos animais silvestres precisam mudar seu hábito de vida e, por essa razão, acabam tendo mais contato com seres humanos e animais domésticos, fazendo com que se contaminem com doenças que antes se limitavam ao meio urbano”, detalhou o professor Paulo Braz sobre a importância do diagnóstico de doenças em animais silvestres para a saúde pública e a conservação.
Alga marinha na mira da pecuária
O professor Fernando Reimann Skonieski é o primeiro a embarcar para o exterior. Em março de 2027, ele segue para a Universitat Autònoma de Barcelona (UAB), onde vai acompanhar as atividades do projeto BOVIGREEN, coordenado pela UAB em colaboração com a empresa Algabrava. A iniciativa reúne validação laboratorial, avaliação da resposta animal e análise das condições necessárias à futura aplicação da tecnologia.
O objetivo é aprofundar conhecimentos científicos e metodológicos sobre o uso da Asparagopsis armata, uma espécie de alga vermelha marinha, como estratégia nutricional para reduzir as emissões de metano entérico em ruminantes. Os bovinos produzem metano durante a fermentação no rúmen, gás eliminado sobretudo pela eructação, nome técnico do arroto dos bovinos. Além de contribuir para o aquecimento global, essa emissão representa perda de energia que poderia ser aproveitada pelo animal.
No laboratório, o professor vai acompanhar experimentos em sistemas de fermentação de fluxo contínuo, que simulam as condições do ambiente ruminal e funcionam como etapa intermediária entre os ensaios in vitro de curta duração e as avaliações in vivo. No campo, acompanhará as avaliações com ênfase na produtividade dos animais e na possível transferência de compostos, como iodo e bromofórmio, para o leite. Essa é uma etapa importante para verificar a segurança do uso da alga na alimentação de vacas leiteiras, sem comprometer a produção, a qualidade do leite e a segurança dos produtos lácteos.
Como o Brasil possui um dos maiores rebanhos bovinos do mundo, a busca por alternativas para reduzir essas emissões é especialmente importante para a pecuária nacional. “O projeto investiga o potencial da alga, que contém compostos capazes de reduzir a formação de metano durante a digestão. Embora essa alga não seja produzida comercialmente em nossa região, há potencial para seu uso como aditivo na alimentação de bovinos leiteiros e de corte”, avaliou o professor.
Internacionalização e impacto regional
Para o PPG-SBPAS, a experiência deve pontuar no quesito internacionalização, o que contribui para a abertura do doutorado na área de Medicina Veterinária. Como pré-requisito da CAPES para a ida, os bolsistas deverão promover a transferência de conhecimento após o retorno, por meio de minicursos ou palestras. “Isso poderá ser não só para o curso de Medicina Veterinária, mas para cursos afins, como Ciências Biológicas. Além disso, a UFFS se beneficia da pesquisa pelo aprendizado de novas metodologias de diagnóstico aprendidas pelos docentes e discentes, pelo acordo com uma instituição internacional e, sobretudo, na internacionalização do PPG, item avaliado pela CAPES”, comentou Braz.
Fonte: Assessoria



















