Explosão de casos de covid-19 na 8ª RS pode afetar ocupação de leitos no Sudoeste

Nos primeiros 14 dias de novembro, a microrregião de Francisco Beltrão contabilizou 953 casos da covid-19. Até terça-feira (17), conforme dados da 8ª Regional de Saúde (RS), a micro apontava, ao menos, 8.470 casos da doença — cerca de 623 a mais do que o registrado no boletim epidemiológico, emitido ontem (18), pela Secretaria Estadual de Saúde (Sesa).

A explosão de casos na micro reflete no cenário da doença em todo o Sudoeste e Oeste paranaense. Conforme os dados estaduais, a área, que é composta por 27 dos 42 municípios do Sudoeste e é responsável por 80% dos casos da doença na região, conta somente com 20 leitos exclusivos covid-19 — dez UTI e dez enfermaria.

Na prática, isso significa que, quanto mais casos a regional contabilizar, maior passará a ser a probabilidade da utilização total de leitos exclusivos covid-19. Se isso vier a acontecer, leitos da 7ª RS, que abrange os outros 15 municípios do Sudoeste, assim como das regionais de Cascavel, Foz do Iguaçu e Toledo, pertencentes a região Oeste, podem ser acionados também.

Conforme a chefe da 8ª Regional de Saúde, Nádia Zanella, 50% dos leitos UTI exclusivos covid-19 e 80% dos leitos enfermaria, exclusivos covid-19 na regional, estão sendo ocupados por pacientes. Ela explica que, em caso de superlotação nos leitos da 8ª, o que não deixa de ser considerado diante da crescente nos casos, os pacientes serão encaminhados para leitos disponíveis na macrooeste.

Até ontem, as regionais da macro contavam com 162 leitos de UTI [estando 86 ocupados] e 180 de enfermaria [com 103 sendo utilizados].

Afinal, estamos na segunda onda?
A crescente que vem sendo notada nos últimos dias, não só na micro de Francisco Beltrão como em todo o estado, não pode ser considerada como a segunda onda da doença. Segundo Nádia, a população ainda está vivenciando a primeira fase da covid-19. “A medida que os casos foram estabilizando algumas atividades foram flexibilizadas e com isso, observamos que a população, já cansada dos 250 dias de pandemia, se acostumou com a situação e, diante disso, acabou deixando de lado os cuidados básicos”, disse a chefe da Regional ao explicar a causa do aumento dos contaminados, após um período de estabilização da doença.

De acordo com Nádia, a população precisa entender que a pandemia não passou. “Nós ainda estamos vivenciando a pandemia. Por isso, medidas de prevenção que hoje são padrões, como o distanciamento social, o uso de máscara e a higienização de mãos, devem ser mantidas”, frisou.

Aumento nos suspeitos
Além da alta nos casos, outra situação que chama atenção nos dados da micro de Francisco Beltrão, é taxa de pessoas suspeitas da doença, que conforme dados da Sesa, tem sido cada vez maior, tendo, nesta semana, não baixado de 1.300 suspeitos diários. “Se formos observar, o volume de coleta de exames tem aumentado muito, e com isso, a taxa de positividade também. Antes, coletávamos as amostras porém os resultados eram, em sua maioria, negativos, e agora é o contrário”, explicou.

Recuperados
Ao mesmo passo em que os casos suspeitos e confirmados estão aumentando na 8ª Regional de Saúde, o número de recuperados também cresce. Até terça-feira, segundo Nádia, 87,31% do total de contaminados na micro, já estavam curados.

REUNIÃO DE GESTORES
Hoje (19), gestores de saúde da 7ª e 8ª Regional de Saúde se reunirão com lideranças do Sudoeste e com a Associação dos Municípios do Sudoeste do Paraná (Amsop) para debater o cenário da covid-19 na região.

Diante do parâmetro apresentado pelos órgãos de saúde serão discutidas as próximas estratégias de enfrentamento à doença.

Fonte: Jornal Diário do Sudoeste

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