Estiagem afeta animais, plantas e moradores do interior

O tempo seco dos últimos meses já está causando prejuízos em comunidades rurais de diferentes municípios da região. Uma das principais preocupações é com o plantio: quem já semeou o milho safrinha contabiliza as perdas decorrentes de sementes que não germinaram devido à baixa umidade e há produtores que estão com tudo pronto, aguardando o primeiro sinal de chuva para colocar a soja no campo, e alguns estão arriscando o plantio, crendo na previsão de que vai cair água nos próximos dias.

Mas não é só a lavoura que sofre com a estiagem. Em alguns municípios pesquisados pelo JdeB, a situação é crítica. Salgado Filho, por exemplo, está puxando água com caminhões pipa para algumas comunidades, há dez dias, além de priorizar a abertura de reservatórios para os animais. Na vizinha Manfrinópolis, o IDR (Instituto de Desenvolvimento Rural, antes Emater), registrou média de 30 mm de chuva, na segunda quinzena de setembro, mas não foi suficiente para amenizar a secura de meses. “O pessoal está solicitando abertura de locais para armazenar água, mas aqui é uma área mais sensível à seca, porque a declividade drena a água mais rápido”, comenta o representante local do Instituto, Marcos Antonio Kalfeld.

Uma solução óbvia e que vem ganhando força em Itapejara D’Oeste é o trabalho de proteção de fontes, que passou a ser mais requisitado nos últimos meses. O engenheiro agrônomo Larri Aroli é especializado neste serviço e explica que a proteção em si é buscada, principalmente, para melhorar a qualidade da água para consumo humano. Aliás, está faltando água para beber em algumas comunidades. É a realidade da região do Km 30, onde caminhões das prefeituras de Beltrão e Nova Esperança do Sudoeste têm levado água regularmente para abastecer as caixas d’água existentes na divisa dos dois municípios. “A situação mais difícil em nosso município é relacionada ao gado leiteiro, mas também estamos atendendo a região dos “kms”, com 12 mil litros a cada dois dias”, detalha Vitório Mistura, diretor do Departamento de Agricultura de Nova Esperança.

Em Beltrão, os únicos atendimentos vêm sendo na região do Km 30. O secretário Claudimar de Carli calcula que, caso não chova logo, os impactos sejam irreversíveis. “Se o tempo continuar assim, a situação vai se agravar muito nas lavouras e àqueles produtores que têm animais confinados e não estão adequadamente preparados”, diz.

Fonte: Jornal de Beltrão

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