Clima interfere na safra de milho e feijão

A segunda safra agrícola 2021-2022 – a safrinha – foi afetada pelas condições climáticas. As culturas do feijão e do milho terão perdas, ainda que parciais, mas ainda não se tem informações e estimativas de quantidades e valores. Primeiro foi a estiagem que atrasou o cultivo das culturas de Outono, depois o excesso de chuvas e agora o frio intenso.

Antoninho Fontanella, técnico do Departamento de Economia Rural (Deral) do Núcleo Regional da Secretaria de Estado da Agricultura (Seab) de Francisco Beltrão-Dois Vizinhos, diz que foram plantados 51.900 hectares de feijão da safrinha.

“A colheita já avançou bastante. Nós temos de 15 a 20% das lavouras em fase de frutificação. Essas lavouras tinham a segunda florada, estavam bastante adiantadas, com canivete, com vagens e a formação de grãos. Por isso, nós temos muitas lavouras que podem ter recebido os efeitos das geadas, que nós devemos avaliar nos próximos dias pra quantificar melhor em função das perdas.”

Menor tempo de ensolação
No milho safrinha foram plantados 100 mil hectares e 30% estão na fase de frutificação. “As duas culturas foram bastante afetadas não só pelas geadas, mas pelas questões climáticas. Nós tivemos nestes três meses excesso de chuva, o que nos trouxe muitos dias sem ensolação.

As culturas necessitam de um certo número de horas de sol pra se desenvolver. Basicamente, as chuvas nos últimos três meses de março, abril e maio praticamente estiveram situadas entre 200 e 300 mm. No mês de junho, até agora, nós tivemos praticamente 100 mm registrados na nossa região. Também, claro, nos últimos 30 dias foi uma questão de horário de sol muito pequena, e com isso alonga bastante o ciclo das culturas. Provavalmente, muitas dessas lavouras que foram atingidas, se tivesse ensolação normal, nós deveríamos ter um bom desenvolvimento e, com certeza, já estariam prontas pra colher ou já teriam sido colhidas.”

Antoninho adianta que os prejuízos serão grandes para produtores de feijão e milho. “Essas duas culturas foram as mais atingidas. É lógico que nós tivemos produtores se aventurando um pouco mais, e plantaram milho safrinha e feijão da safrinha fora do período indicado pelo zoneamento agrícola e, com isso, correram sérios riscos de que essas lavouras fossem atingidas agora no período de inverno.”

Teve gente que arriscou
Para Antoninho teve áreas que foram plantadas entre os dias 20 a 25 de março, enquanto que o período indicado pela lei de zoneamento agrícola, tanto para o milho como feijão, é o fim de janeiro, no máximo. “Aí, claro, que o produtor sabia que poderia acontecer isso. Poucos anos atrás nós tínhamos formação de geadas em abril. Esse ano não aconteceu. Foi acontecer em maio. Claro que lavouras foram atingidas nas geadas que caíram no mês de maio. No mês de junho, as geadas ocorrem no decorrer da primeira quinzena ou segunda quinzena.

“Aí é complicado pegar cultura nesta fase.”
Os técnicos do Deral/Seab vão aguardar mais alguns dias para iniciar os trabalhos visando apurar a quebra na produção da safrinha de feijão e milho. “Vamos esperar mais uns dias e aí vão aparecer os efeitos da geada. Com certeza, muitas lavouras nós vamos perceber os danos com a intensificação das colheitas, até porque tem lavouras que estavam na fase de frutificação final e início de maturação, e essas lavouras devem ser afetadas no peso dos grãos e o produtor só vai sentir no momento da colheita.”

As pastagens usadas para alimentar bovinos de corte e leite também foram afetadas pelas baixas temperaturas. Após as geadas, o pasto fica seco e demora um tempo para voltar a crescer.

Fonte e foto: Jornal de Beltrão

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