Carne encarece a alimentação dos sudoestinos

A pesquisa mensal da Unioeste mostra que em abril houve relativa manutenção do valor da cesta básica, tanto em Francisco Beltrão quanto em Pato Branco, já que as variações percentuais ocorridas foram pequenas (0,56%) e (-0,16%), respectivamente. Em Dois Vizinhos, no entanto, constatou-se alta de (11,76%). Chama a atenção os sucessivos aumentos no preço da carne nos últimos meses. Em valores nominais, o preço da cesta básica individual mais elevada foi a de Francisco Beltrão R$ 495,88, seguida de Dois Vizinhos, R$ 487,59. Já a de menor custo foi a Pato Branco, R$ 457,09.

Segundo o economista José Maria Ramos, professor da Unioeste e coordenador da pesquisa, os produtos da cesta básica e suas respectivas quantidades mensais são diferentes por regiões e foram definidos pelo Decreto 399 de 1938, que continua em vigor. Para os estados da região Sul do Brasil, a cesta básica considera como necessário 6,6 quilos de carne por pessoa, que dá uma média de 220 gramas por dia. A pesquisa é feita a partir dos preços da carne bovina de primeira, com os cortes de coxão mole e a alcatra sem osso. No custo da cesta básica, a carne tem peso significativo, em abril o custo da carne representou em 51,73% do valor da cesta básica.

No acumulado em 2021 (janeiro a abril), a carne aumentou em 6,63% em Dois Vizinhos, 9,6% em Francisco Beltrão e 0,94% em Pato Branco. No comparativo de 12 meses, isto é, comparando os preços de abril de 2020 com abril de 2021, a carne apresentou um aumento de 36,31% em Dois Vizinhos, 35,74% em Francisco Beltrão. Em abril de 2020, não houve coleta em Pato Branco, em razão da pandemia, mas comparando o preço da carne com o mês de março de 2020, houve um aumento de 28,79%.

Em abril de 2020, a carne custava na cesta básica individual R$ 176,37, que representava 44,31% do valor da cesta, em Dois Vizinhos; R$ 195,37, em Francisco Beltrão, que correspondia a 48,09%. Em Pato Branco, conforme os dados de março de 2020, a carne custava no conjunto da cesta básica 186,05, ou seja, 51% do custo total da cesta básica individual.

A pernambucana Aparecida Pires, que é de Recife e está a passeio em Francisco Beltrão, fazia compras ontem à tarde em supermercado local e disse que o preço da carne aqui no Sudoeste do Paraná está em média de 15% a 20% mais em conta do que na capital onde ela mora. Mesmo assim, ela considera que os aumentos foram significativos no produto, especialmente a carne bovina, nos últimos meses. Aparecida disse que na hora de escolher uma proteína animal está optando pela carne de frango, que é mais barata.

Horácio Silveira, aposentado e pastor de uma Igreja Evangélica de Francisco Beltrão, aguardava sua esposa finalizar as compras e comentou que não só a carne teve aumento, mas todos os produtos da alimentação. “Olha, tivemos um aumento geral, mas os salários não seguiram a mesma correção. Então, pra quem é assalariado está muito complicado o custo de vida.”

Demais produtos com aumentos
Os produtos que compõem a cesta básica de alimentação que apresentaram aumentos mais substantivos em abril foram, de acordo com o Dieese, a carne vermelha de primeira, o açúcar, o café em pó, o óleo de soja, a manteiga/margarina, o feijão e o tomate.

A banana, por sua vez foi o produto que teve expressiva retração de preço. Nas cidades pesquisadas pelo grupo de estudos da Unioeste, em abril (Dois Vizinhos, Francisco Beltrão e Pato Branco), à exceção do feijão verificou-se o mesmo comportamento. Nesses municípios, no entanto, o destaque fica para as altas nos preços do açúcar, do café, do óleo de soja, do leite e do pão.

Fonte e foto: Jornal de Beltrão

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