Mutirão no CRE vai realizar 600 cirurgias de catarata em oito dias

Dona Delima de Oliveira acumula algumas quedas e duas costelas quebradas devido às dificuldades na visão. Ela passou a enxergar as coisas mais embaçadas aos poucos, há dois anos, e não teve lente ou medicamento que melhorasse. “O médico disse que era só com cirurgia pra resolver”, conta. Dois meses atrás, devido à paralisação de cirurgias eletivas na rede pública em virtude da pandemia, Delima resolveu fazer o procedimento em um dos olhos numa clínica particular e já sentiu a visão melhorar. Ontem, operou o outro olho, desta vez pelo SUS.

Além da dona Delima, moradora de Flor da Serra do Sul, outras 600 pessoas devem passar pelo mesmo procedimento até a próxima quarta-feira, num novo mutirão de cirurgias de catarata. Tudo foi organizado pelo CRE (Centro Regional de Especialidades) junto aos 26 municípios da microrregião de Francisco Beltrão. Os procedimentos são feitos na própria estrutura do consórcio de saúde. “Em 2016 o mutirão ocorreu em Pranchita, em 2018 no Hospital Regional e desta vez estamos fazendo no CRE. Isso porque achamos melhor não expor os pacientes a um ambiente hospitalar e, como esse tipo de procedimento é considerado uma cirurgia ambulatorial, pode ser feito fora do hospital”, explica Ivone Faust Sponchiado, coordenadora geral do CRE.

A pandemia de Covid também obrigou a reduzir o ritmo de cirurgias. Em outros mutirões, eram realizadas até 200 por dia; neste, são em média 65. Os procedimentos serão feitos também no sábado, 21, e domingo, 22.

CRE se adaptou para receber o mutirão
O mutirão conta com a parceria das prefeituras. Cada município levanta a demanda de pacientes e fica responsável pelos procedimentos pré-operatórios, como consultas e exames. Cada Prefeitura, então, envia o grupo de pacientes conforme dia e horário agendados. No CRE, é realizada a triagem e pacientes que tenham algum tipo de alteração não são submetidos à cirurgia.

Os aprovados são paramentados, recebem as lentes e colírio e em poucos minutos realizam o procedimento, que consiste no corte do cristalino e colocação da lente. Os pacientes saem com um kit com colírio e óculos escuros e com as duas consultas do pós-operatório agendadas — uma no dia seguinte e outra dentro de um mês.

Para receber o mutirão, o CRE adaptou salas para criar o chamado fluxo por onde os pacientes aguardam, são examinados, operados e saem. O consórcio contratou uma equipe especializada neste tipo de cirurgia — profissionais, equipamentos e insumos para o mutirão — e vai faturar os procedimentos dentro do programa de cirurgias eletivas do Estado.

Ivone adianta que a entidade está comprando o aparelho necessário para a realização das cirurgias de catarata e pretende contratar médicos para fazer rotineiramente o procedimento, e não somente em mutirões. “Nós queremos que a cirurgia da catarata seja uma rotina e não haja o acúmulo de pacientes e fila de espera para os mutirões.”

Pacientes na expectativa
A catarata é a perda da transparência do cristalino do olho. Quem é afetado por esse tipo de lesão enxerga tudo mais embaçado e tem coisas simples do dia a dia afetadas. “Fica ruim pra ver alguma pedra no chão e pode tropeçar, às vezes a gente vai pegar uma coisa e não sabe direito o que é”, relatou uma paciente, enquanto aguardava a triagem. A aposentada Aidê Fontin, de Renascença usa óculos há 40 anos e, quando a vista começou a embaçar mais, achou que estava na hora de trocar o grau, mas soube que tinha catarata. “Agora a expectativa é boa com a cirurgia. Talvez só vou precisar de óculos pra ler”, disse. Ela fez o procedimento ontem à tarde, pouco mais de uma semana após receber o diagnóstico.

Fonte: Jornal de Beltrão – Foto: Leandro Czernisak

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