Número de suicídios cresce e bate recorde no Paraná

quinta-feira, 10 setembro 2020 | 08:28 AM

A cada 40 minutos, uma pessoa dá cabo à própria vida no Brasil. Segundo dados do Ministério da Saúde, apenas em 2019 foram 13.105 óbitos causados por lesões autoprovocadas intencionalmente em todo o país, número 2,9% superior ao verificado no ano anterior. Só no Paraná, estado que representa 5,4% da população brasileira, registrou-se 7,1% dos suicídios (925 mortes), o que dá uma média de cinco registros a cada dois dias.

Os números acima, tabulados pelo Bem Paraná por meio do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), ajudam a demonstrar a gravidade do problema e a reforçar a necessidade de se falar sobre o assunto, ainda mais quando as estatísticas só fazem crescer: no Brasil, desde 2003 o número absoluto de suicídios sobe consecutivamente. No Paraná, o mesmo acontece há cinco anos.

Não surpreende, então, que os registros de 2019, ainda que preliminares, apontem para um recorde dentro da série histórica do Ministério da Saúde, iniciada em 1979. Ao longo da última década, o número de suicídios cresceu 39,8% no país e 42,75% no estado.

Se a estatística do suicídio já vinha crescendo, o que esperar quanto a 2020, ano da pandemia de coronavírus, com recessão econômica profunda (e todos os seus impactos sociais) e a transformação drástica nas formas de vivência e convivência?

Essa é uma das questões que aflige os profissionais da área da Saúde, em especial em setembro, o mês amarelo, e numa data como o 10 de setembro, Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. E na busca por respostas e para garantir o fortalecimento da prevenção, a Secretaria de Estado da Saúde fará uma videoconferência sobre o tema direcionada a profissionais da área. Será das 9h às 12h, com transmissão pelo YouTube.

“As pessoas estão vulneráveis diante dos desdobramentos da pandemia e a Secretaria da Saúde está atenta a isso”, afirma o secretário da Saúde do Paraná, Beto Preto, citando ainda que, além das questões relacionadas à Covid-19, como o grande número de infectados, de internados e de mortes, a pandemia impôs também o isolamento e distanciamento social, desencadeando problemas relacionados à economia e também provocando danos à saúde mental.

“A campanha Setembro Amarelo é uma importante estratégia de prevenção, pois coloca o tema em evidência, principalmente neste momento de um novo cenário com muitos fatores de risco para a saúde mental. Por isso a necessidade de profissionais atualizados para identificar e tratar deste paciente”, diz a diretora de Atenção e Vigilância em Saúde, Maria Goretti David Lopes.

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