Granja testa biogás para aquecer aviário

quinta-feira, 30 julho 2020 | 16:33 PM

Em agosto de 2018, os irmãos Gilson, Gilmar e Geovani de Paula, de Boa Esperança do Iguaçu, inovaram ao utilizar os dejetos de aviários (as chamadas camas de aviário) e transformando-os em três produtos: energia elétrica que é jogada para a rede da Copel, adubos orgânicos sólidos e biofertilizantes líquidos, através da empresa 3G Adubos Orgânicos. Agora, mais uma novidade: um dos aviários está testando sistema de aquecimento que aproveita a estrutura e o gás de biodigestores já instalados. “Na questão do aquecimento são testes que estamos fazendo em lotes de inverno. As máquinas foram homologadas pela BRF em Goiás e deixamos um barracão com o sistema de lenha e outro com o sistema novo utilizando o biogás”, explica o produtor Gilmar de Paula.

Os sensores que controlam a temperatura conseguem ter grande sensibilidade. “Esse controle de temperatura é impressionante. Podemos variar na mínima proporção. Durante o dia você pode deixar 30 graus, mesmo no inverno, com temperatura ambiente de 12, 14 graus e caindo para 6 graus, à noite, e eu consigo manter nos 30 graus sem variação nenhuma e isso é importante para o animal. A lenha é mais complicada. Ainda tratamos como testes e estamos alojando hoje novamente e, com isso, vamos ver o que ainda podemos mudar para ter maior eficiência”, completou.

O objetivo, desde o começo, foi deixar a propriedade mais sustentável e agregar o máximo de valor a tudo que se produz. “Sempre pesquisamos muito, buscamos o que fazer para que o nosso sítio agregasse valor ao que produzimos. Iniciamos os estudos há cinco anos da nossa planta de biogás, mas o projeto não é nosso, é de propriedade intelectual de um professor doutor da UTFPR que estuda o tema há 14 anos. A cama de frango gera dificuldades para as bactérias digerirem a maravalha, mas nós compramos a ideia, acreditamos, conversamos, fomos convencidos de que era algo que era bom, que funcionava e o projeto já está andando, injetando energia na rede desde agosto de 2018. Fomos os primeiros a gerar energia e distribuir -na rede, pois já existia biodigestores com cama de frango, mas com outras matérias-primas”, completa Gilmar, em entrevista para a Rádio Educadora AM.

O produtor afirmou que ser pioneiro gera dificuldades, mesmo assim, está satisfeito com o sistema. “Hoje geramos cerca de 50 mil kwh por mês. Se, sua casa consome 200 kwh, seja 130, 140 reais por mês na conta de energia, nós estamos dando conta de gerar para 250 casas. Claro que no inverno há uma diminuição, porque as bactérias se reproduzem mais em temperaturas mais altas. Jogamos tudo para a rede da Copel, pois utilizamos de 2% a 3%. Meu grau de satisfação com relação ao funcionamento técnico da ideia que eu comprei está além da expectativa”, completa.

Além da energia, são produzidos dois tipos de adubo

JdeB – A energia elétrica é um dos produtos da propriedade dos irmãos de Paula. O resíduo que não vira gás, se torna adubo que está sendo comercializado em toda a região. “Geralmente, se produz o biogás e não se preocupa com o restante. A gente produz também um dejeto sólido e um liquido. Temos um adubo orgânico que industrializamos, onde compostamos ele por 60, 80 dias até estabilizar, ficar sem nenhum tipo de contaminante e vai para o mercado. Encontramos resistência no início, porque quando se fala em adubo orgânico o pessoal já pensa no cheiro, mas chegamos num ponto onde é praticamente inodoro. Outro produto gerado é o biofertilizante líquido”, disse o produtor Gilmar de Paula.

Os resultados desse segundo produto tem animado.“Estamos fazendo a distribuição com caminhão, fertilização para gramínea e tem sido fantástico o resultado: meu irmão tinha 80 animais de gado leiteiro e usava três alqueires de terra para isso. Com seis meses de utilização do biofertilizante, ele reduziu o espaço para um alqueire e uma quarta. O ganho para o agricultor que vai utilizar esse adubo é muito grande. O adubo líquido vai direto para a terra, ele fortalece o sistema radicular e alimenta a terra”, completa.

Ele destaca que estudos mostraram também outras utilizações. “Nas mudas de alface ganhamos oito dias no ciclo de produção da muda, que é de 30 dias. Já na produção da grama, de 23 dias veio para 14 dias a produção da muda dele. Além de ganhar em diâmetro de colheita, comprimento de raiz, massa folhar, tudo isso, também chamou atenção para quem trabalha com orgânico é que serve como repelente natural também”, completa.

Fonte: Alexandre Baggio/Jornal de Beltrão

0 comentários

Enviar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *