Por unanimidade, o Conselho Municipal de Saúde de Francisco Beltrão declarou apoio à decisão do prefeito de Francisco Beltrão, Cleber Fontana (PSDB), de assinar a requisição administrativa que permitiu a intervenção no Hospital São Francisco - que havia anunciado sua retirada do SUS a partir de 1º de janeiro de 2018.
A decisão do conselho - tomada ontem em reunião extraordinária no auditório do Posto de Saúde da Cango - seguiu os mesmos passos de apoio dados pela comissão de Saúde da Amsop, ARSS (Associação Regional de Saúde do Sudoeste), Cresems (Conselho Regional de Secretários Municipais de Saúde) e 8ª Regional de Saúde.


Basicamente, a justificativa comum é que o atendimento aos 27 municípios da microrregião não poderia ser interrompido. 
Um exemplo, repetidas vezes comentado pelo prefeito Cleber nas entrevistas: são cerca de 70 partos por mês. Onde iriam essas mulheres? Mais: o São Francisco possui dez leitos de UTI (há mais dez no Hospital Regional). A saída do SUS representaria uma perda imediata de 50% dessa emergência.


"Conversamos, debatemos e tivemos o apoio unânime de todos os conselheiros", resumiu a secretária municipal Aline Biezus (Saúde). Ela, Cintia Ramos (8ª Regional de Saúde) e o médico Walter Pécoits Filho compõem o trio de interventores. Esta comissão será auxiliada por outra, composta por Alessandro Perondi, representante do Conselho Municipal de Saúde, Ricardo Pepe, pela classe médica, e Lourdes Lago, que representa as entidades sociais. Nenhum dos seis receberá remuneração. O trabalho é voluntário.

Atendimento normal
O atendimento do hospital São Francisco continua normal, como a reportagem do Jornal de Beltrão registrou nesta semana - e como garante o pronunciamento oficial da Prefeitura, inclusive sobre convênios particulares. 
A intervenção está marcada para seis meses, até 31 de maio de 2018. Poderá ser prorrogada. "Ou poderá ser revogada, caso o São Francisco decida rever sua posição", disse o prefeito  Cleber na entrevista coletiva de sexta-feira.
Nesses primeiros dias, o trabalho administrativo será de levantamento patrimonial, de equipamentos, mobiliário, medicamentos, etc.

A questão dos valores financeiros
A raiz do problema, que se arrasta há tempos, é financeira. O Hospital São Francisco Bletra diz que tem prejuízo mensal de cerca de R$ 600 mil e reclama que alguns municípios atrasam o repasse combinado. Cada um dos 27 municípios da microrregião  transferem uma quantia proporcional ao número de seus habitantes. Segundo a Amsop, esse valor - com o aporte do governo estadual - está na casa de R$ 1,8 milhão por mês.