Eleito governador no primeiro turno com 60% dos votos, Ratinho Júnior (PSD) toma posse na próxima terça-feira com o desafio de tornar realidade a bandeira da renovação contra a “velha política”, empunhada por ele durante a campanha. Com apenas 37 anos, ele será o segundo político mais jovem a assumir o governo do Estado, atrás apenas de Paulo Pimentel, que tomou posse em 1966 com pouco mais de 36 anos.

Apesar da pouca idade, ele acumula a experiência de mais de 15 anos na política, iniciada em 2002, quando se elegeu deputado estadual pela primeira vez e que marca uma carreira meteórica em um Estado que como o próprio disse durante a campanha, foi governador durante décadas pelas mesmas “três ou quatro famílias”. 

O primeiro compromisso de campanha já começou a ser cumprido, com o enxugamento da máquina pública e a redução do número de secretarias de 28 para 15, com a estimativa de uma economia mensal de R$ 300 mil para cada Pasta extinta. Durante toda a disputa eleitoral, Ratinho Jr pregou que era preciso reduzir gastos de custeio para garantir a ampliação de investimentos e a geração de empregos. 

Outra bandeira de campanha que já teve seu início gestado ainda durante a transição foi a ampliação de parcerias do Estado com o setor privado. A pedido do governador eleito, a governadora Cida Borghetti (PP) encaminhou à Assembleia Legislativa, projeto elaborado pela equipe de transição de Ratinho Jr que prevê a criação do Programa de Parcerias do Paraná (PAR). A proposta tramitou em regime de urgência, sendo aprovada em segundo e terceiro turno pelos deputados na última sessão do ano, em 20 de dezembro. Uma das primeiras medidas do novo governador após a posse será convocar o Legislativo durante o recesso, ainda em janeiro, para votar a redação final do projeto, garantindo que ele seja implantado já no início da gestão. 

Transição
Apesar de tranquila, a transição entre os governo Cida Borghetti e Ratinho Jr enfrentou alguns percalços. O primeiro, logo após o primeiro turno da eleição, quando a governadora decidiu que o processo seria iniciado apenas em 3 de dezembro, menos de 20 dias antes da posse. Após a insistência da equipe de Ratinho Jr, Cida concordou o início dos trabalhos para 19 de novembro. 

Outra discordância surgiu já na reta final da transição, nos últimos dias, depois que o governo Cida Borghetti rejeitou pedidos da equipe do governador eleito para suspender contratações, como um contrato de R$ 400 milhões para serviços de dragagem nos portos de Paranaguá e Antonina. Por conta disso, a equipe de Ratinho Jr anunciou a decisão revisar todos os contratos assinados nos últimos dias pelo atual governo. “(Vamos revisar) contratos realizados nos últimos 15, 20 dias, no apagar das luzes. Todos esses contratos, por orientação do governador serão revisados. Vamos tomar todas as providências legais para que a população, e principalmente o Estado não tenha prejuízo e a gente pode dar maior transparência ao que serve o contrato e qual sua destinação”, confirmou ontem o futuro chefe da Casa Civil, deputado estadual Guto Silva (PSD). 

Ele também anunciou que o novo governo vai exonerar todos os comissionados no próximo dia 2 de janeiro, logo após a posse. “Até porque com a redução de secretarias de 28 para 15 nós precisamos compreender quantos cargos em comissão serão necessários, o tamanho do governo precisará dar andamento”, alegou.