Ainda “juntando os cacos” das eleições de 2018, o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) do Paraná elegeu ontem como presidente de seu diretório estadual o jovem deputado Paulo Litro, de 27 anos, que cumpre seu segundo mandato na Assembleia Legislativa. Litro foi o único candidato a lançar chapa. Esta é a primeira vez que alguém tão jovem comanda a sigla que já foi a mais poderosa do Estado. Os últimos três presidentes foram expoentes do poder no Estado: Ademar Traiano e Valdir Rossoni, atual presidente e ex-presidente do Legislativo Paranaense, e, até o fim do ano passado, o ex-governador Beto Richa, que se licenciou do cargo após ser preso pela primeira vez, em setembro, na véspera da eleição que concorreria ao Senado. Richa, que despontava como líder nas pesquisas, teve, depois disso, 3,5% dos votos e ficou em quinto lugar na disputa pelas duas vagas.

Paulo Litro, embora jovem, representa, na verdade, o sexto mandato de sua família na Assembleia. Paulo Henrique Coletti Fernandes foi eleito deputado pela primeira vez com 22 anos, é advogado, e adotou o nome político do pai, Luiz Fernandes Litro, que foi vereador em Dois Vizinhos e deputado estadual três vezes. A mãe, Rose Litro, ocupou a cadeira no legislativo estadual por um mandato.

A primeira estratégia para reverter a condição do partido, segundo Litro, será uma mudança na comunicação dos integrantes da legenda. “O núcleo de comunicação do partido, para ter maior interação nas redes sociais. Não há mais necessidade de intermediários para falar com a população”, afirma.

O partido também deve reorganizar suas bases nos municípios. “Promover reuniões nos polos do Paraná. Vamos buscar valorizar pessoas que já estão no partido. É um momento um pouco difícil, mas o pior já passou. Pretendemos lançar candidatos na majoritária, prefeitos e vices, nos maiores municípios do Paraná. Vamos verificar como está situação do partido. Agora não é mais necessidade de coligações na proporcional”, adianta.

A queda de Beto Richa foi apenas uma das derrotas do PSDB, evidente em todo o Paraná, com seu pior desempenho eleitoral no Estado. Neste ano, nenhum candidato a deputado federal se elegeu. Na Assembleia, apenas três estaduais garantiram vagas. Havia 12 até 2018. Na Câmara eram quatro até o ano passado.

A crise no PSDB não é exclusiva do Paraná, onde seu último grande líder, Richa, foi preso por três vezes em um período de seis meses. Nacionalmente, o partido estuda mudar de nome. “O PSDB mais do que nunca, a partir de agora, deverá ser o partido da juventude, dos jovens, das novas ideias, daqueles que sabem respeitar os cabelos brancos”, discursou no domingo o governador de São Paulo, João Doria, na convenção do partido naquele Estado. Uma pesquisa encomendada para consultar filiados é que vai dizer se a mudança de nome será necessária. Dória e o ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, atual presidente nacional do PSDB, divergiram em estratégias para reanimar o partido. Enquanto Dória prega “o novo”, Alckmin tenta o resgate da tradição. Dória, durante a convenção estadual, foi aclamado “presidente da República” pelos correligionários. Sua proximidade com o PSL do presidente Jair Bolsonaro pode embolar disputa. A convenção nacional do do PSDB será em 31 de maio.

No Paraná, é consenso entre os jovens tucanos que assumiram o apoio às reformas de Bolsonaro. “É uma posição de centro, apoio ao governo federal às reformas que o Brasil precisa fazer. Doria tem se debruçado sobre a bancada de 70 deputados para que as reformas vão em frente, mas sempre com a discussão de centro. O PSDB vai ter que fazer muita discussão de centro”, diz o vice-prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel, que encabeça, junto com Paulo Litro, o ‘novo PSDB’ do Paraná. Pimentel só não integra o diretório estadual em razão de uma limitação imposta pela Lei das Estatais. Seu irmão, Daniel Pimentel Slaviero, é presidente da Copel, indicado pelo governador Ratinho Junior (PSDB).

Foto: Arquivo pessoal