Graças a uma cadeia da cannabis medicinal, integrada principalmente de pacientes que dependem da cannabis para tratamentos, médicos especialistas e o esforço da Anvisa, o Brasil vem avançando na questão da política regulatória para o uso medicinal da planta. O que evidencia esta afirmação é o crescimento de concessão autorizada para importação da planta.  Segundo dados da própria Anvisa, o número de pacientes que recebeu autorização de importação cresceu 2.421% de 18 de novembro de 2014 até 16 outubro de 2018. Em novembro de 2014, 168 pacientes foram beneficiados e em outubro de 2018 registrou-se um total de 4.236. 

“Estes números demonstram maturidade da Anvisa e dos médicos sobre o uso compassivo da cannabis medicinal e do seu potencial terapêutico em doenças crônicas. O cenário comparado a outros países da América Latina ainda não é o ideal, mas tivemos bons avanços com a RDC 38/2013 do Ministério da Saúde, que visa o compassivo de medicamentos, e com a RDC 17/2015 que permite, em caráter excepcional, a importação direta de produtos ricos em canabinoides”, complementa  a especialista em Cannabis em mercado regulamentado e a primeira médica brasileira com experiência internacional em terapia canabinoide, Carolina Nocetti.

A quantidade de médicos que prescrevem a cannabis apresentou desenvolvimento. Segundo a ANVISA, em 2015, apenas 321 médicos brasileiros receitaram a planta. Atualmente, há 911 profissionais prescritores, o que contabiliza 183% de aumento.  “É outra questão que aponta a necessidade da regulamentação da cannabis para o uso medicinal no Brasil”, ressalta Nocetti.

Números recentes apontam cerca de 34 especialidades médicas que prescrevem a cannabis, sendo as principais: Neurologia; Psiquiatria; Neuropediatria; Radiologia; Clínica Médica; Neurocirurgia; Reumatologia; Pediatria; Ortopedia e Cirurgia Geral. Os tratamentos giram em torno de 208, sendo os mais indicados para epilepsia; autismo; doença de Parkinson; dor crônica; neoplasia maligna; transtorno de ansiedade, transtorno de tecidos moles; paralisia cerebral; esclerose múltipla e transtorno depressivo.

No sentido de fortalecer as discussões em torno da cannabis e aglutinar todos os autores desta jornada, São Paulo sediará nos dias 12 a 14 de novembro, a primeira edição da CannX: Congresso Internacional de Medicina Canabinóide.

A iniciativa promovida pela ABMedCan, plataforma online de educação médica sobre cannabis medicinal e a Cann10 Israel, um dos líderes globais ao tratar de cannabis medicinal, tecnologia, educação, eventos e com o apoio do Consulado Geral de Israel e da Câmara Brasil Israel de Comércio e Indústria, o evento marcará um capítulo importante na história do sistema de saúde brasileiro, focado na pesquisa e na experiência clínica como, por exemplo, para o tratamento de dor, câncer, autismo e cuidado integrado para idosos.  

Congresso reúne pensadores, influenciadores, médicos e experts mundiais. Em três dias, o congresso terá a participação de pensadores, médicos, influenciadores e experts da cannabis; profissionais que vem transformando o modelo de promoção e assistência à saúde em todo o mundo. No Brasil, entre as presenças confirmadas, o pesquisador Elisaldo Carlini, um dos precursores de dar luz aos estudos da cannabis para uso terapêutico e medicinal, e o jornalista Gilberto Castro, que há 15 anos por indicação de um médico, usa a planta como auxílio em seu tratamento de esclerose múltipla. Ativista, Castro conta que a cannabis auxilia na redução de crises, choques e evita surtos que podem ser fatais. Instituições como a Anvisa também estarão no congresso.

De Israel  - país pioneiro na descoberta da cannabis para a saúde - terá speakers reconhecidos mundialmente, como a médica neurologista pediátrica, Orti Solar, diretora clínica dos serviços de infância no Centro de Autismo Assaf Harofeh Medical Center.

Líder na aplicação clínica de soluções naturais para a dor e terapia canabinoide, o medico e professor assistente clínico na Divisão de Medicina de Emergência do Departamento de Medicina Interna da Universidade McMaster (EUA) e educador de médicos e pacientes sobre o uso de canabinóides, Ira Price, discutirá a perspectiva atual e futura da cannabis medicinal.

“Os pacientes se beneficiarão do congresso com os conhecimentos sobre o uso terapêutico da cannabis medicinal, trazendo alívio para doentes crônicos. Aos médicos, o evento trará acesso a mais conhecimento e experiências a uma terapia adjunta e efetiva em determinadas doenças refratárias aos tratamentos convencionais”, finaliza Nocetti.