A governadora Cida Borghetti (PP) e o governador eleito, Ratinho Júnior (PSD) fecharam ontem acordo para antecipar para o próximo dia 19 o início da transição entre os dois governos, inicialmente marcado para 3 de dezembro. Após reunião no Palácio Iguaçu, os dois também anunciaram oficialmente os nomes que vão compor as equipes de transição. 
Pelo governo Cida, foram escalados o secretário chefe da Casa Civil, Dilceu Sperafico; o secretário do Desenvolvimento Urbano, Silvio Barros; o secretário da Fazenda, José Luiz Bovo; o controlador-geral do Estado, Carlos Eduardo de Moura, e o procurador-geral Sandro Kozikoski.
Já Ratinho Júnior anunciou que vão compor a equipe o ex-deputado federal Reinhold Stephanes, coordenador do plano de governo; o deputado estadual Guto Silva (PSD); o ex-secretário da Agricultura do governo Beto Richa, Norberto Ortigara, além de Cláudio Stab e João Carlos Ortega, entre outros nomes. 
“Em um acordo aqui, antecipamos, atendendo a solicitação, a transição para o dia 19 de novembro, logo após o feriado”, confirmou a governadora. “Para nós é muito importante para que a gente possa acompanhar muito mais a preocupação com o início do ano, alguns contratos que vão vencer em janeiro e fevereiro”, afirmou Ratinho Jr. “Nós temos o início das aulas em fevereiro. Temos a Operação Verão que já vem sendo organizada, mas é importante a nova equipe poder estar acompanhando toda a estratégia, as decisões tomadas pelo atual governo. Esse prazo do dia 19 colabora muito para que a gente possa estar acompanhando e entrando em janeiro da maneira mais organizada possível”, avaliou o governador eleito. 
Parcerias
Os dois combinaram ainda que Cida deve encaminhar à Assembleia Legislativa um projeto para regulamentar as Parcerias Público-Privadas (PPP) pelo qual Ratinho Júnior pretende terceirizar obras e projetos de seu futuro governo. Segundo o governador eleito, a ideia é elaborar uma proposta conjunta, já que a atual administração já estaria com um esboço do projeto. Nosso jurídico vai sentar com o jurídico do (atual) governo vão sentar para ver quais são os pontos que têm convergência, o que é possível ser juntado nesse projeto para que seja encaminhado pela governadora à Assembleia e se possível ser votado ainda este ano para que o Paraná possa a partir do ano que vem começar janeiro discutir algumas áreas que possam ter PPPs”, explicou Ratinho Jr.
Entre as áreas que ele disse pretender o usar o modelo de PPPs está a carcerária. “É possível buscar boas práticas não só no Brasil mas fora para essa área. O governo do Estado sozinho não tem condição de fazer o volume de vagas necessárias para esses presos que estão delegacias hoje”, afirmou. 
Secretarias
O governador eleito – que até agora só anunciou um secretário, o general Luiz Felipe Kraemer Carbonell, para a segurança – admitiu ontem que já tem outros nomes escolhidos. Ele alegou, porém, que só pretende anunciá-los depois que receber o estudo da Fundação Dom Cabral, sobre a redução do número de secretarias. “Eu tenho nomes, obviamente, que já estão na minha cabeça decididos, mas eu quero esperar, fazer por etapas”, disse. “A minha preocupação de divulgar qualquer nome agora para uma função que daqui há pouco entenda junto com a Fundação Dom Cabral que não há necessidade de existir ou tem que ser desmembrada ou juntada com outra Pasta”, alegou. 

Eleito descarta interferir no Legislativo
Deputado estadual licenciado, o governador eleito, Ratinho Júnior (PSD), descartou ontem interferir na eleição do comando da Assembleia Legislativa, marcada para fevereiro. Segundo ele, a população já mandou um “recado” para os políticos nas últimas eleições de que não aceita mais interferências do Executivo no Legislativo. 
“Eu entendo que as urnas deram um recado muito claro para os políticos. E quem não entendeu o recado das urnas vai em algum momento sair da vida pública porque as pessoas vão tirar”, argumento Ratinho Jr. “Esse movimento do Poder Executivo influenciar no Legislativo e vice-versa, as pessoas não querem mais. A eleição da Assembleia, lá tem bons nomes, eles que decidam”, defendeu ele.
Tradicionalmente, os governadores eleitos agem para elegerem aliados para a presidência da Assembleia, já que eles são responsáveis pela definição da pauta da Casa, e para a votação de matérias de interesse do Executivo. Pelo regimento interno da Assembleia, a eleição acontece em 2 de fevereiro, um dia após a posse dos novos deputados, mas as articulações sobre o assunto já estão em andamento. 
Cotados

O atual presidente, deputado Ademar Traiano (PSDB), tem intenção de conquistar um novo mandato, e contava com o apoio de Ratinho Jr. O tucano apoiou a candidatura do governador eleito, apesar do PSDB ter integrado a coligação da governadora Cida Borghetti (PP). Outros nomes, porém, estão na disputa, como o ex-líder do governo Beto Richa, deputado Luiz Cláudio Romanelli (PSB) e o deputado federal Fernando Francischini (PSL) – o mais votado da história para a Assembleia.