A colheita da safra de verão 2014/15 caminha para o final e está se consolidando com uma produção de 22,05 milhões de toneladas de grãos, uma elevação de 7% sobre igual período do ano passado. Segundo relatório de maio do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, o carro-chefe desse volume foi à produção de soja no Paraná que rendeu quase 17 milhões de toneladas, a maior safra da história do Estado, que representou 76% da produção de grãos de verão. 

Além da safra de verão, quase totalmente colhida, a safra de inverno está sendo plantada e a segunda safra de grãos (milho e feijão) está em pleno desenvolvimento. Com isso, existe a expectativa de uma produção total de grãos no Paraná, para este ano de 2015, de 37,7 milhões de toneladas. Essas duas safras ainda dependem do comportamento do clima para serem concretizadas. 

O volume esperado representa um acréscimo de 5% em relação ao ano passado quando a safra total do Paraná atingiu uma produção de 36 milhões de toneladas de grãos. 

De acordo com o secretário estadual da Agricultura, Norberto Ortigara, o bom desempenho da safra de verão 14/15 deve ser atribuído ao bom nível tecnológico utilizado no plantio e ao clima, que se manteve estável durante o desenvolvimento das lavouras e o período de colheita, contribuindo para elevar os índices de produtividade. 

Francisco Carlos Simioni diretor do Deral, ressalta que o desempenho satisfatório da safra de verão, aliado a uma boa expectativa para a segunda safra de grãos, e um bom resultado na safra de inverno, é o esperado pelos produtores, embora a safra 2014-2015 esteja sendo comercializada por preços menores em relação ao ano passado. “Mesmo assim, o produtor ainda está vendendo bem a safra porque está sendo beneficiado pela valorização do dólar frente ao real”. 

Daqui para frente, a atenção dos técnicos do Deral está voltada à elevação dos custos de produção para a próxima safra (2015/16). Esse é um fator que vai influenciar na renda dos produtores rurais. A preocupação é com o aumento nos preços dos insumos e principalmente do custo do dinheiro ao produtor, considerando a provável elevação das taxas de juros, explicou Simioni. 

Segundo Garrido, a comercialização da soja ganhou velocidade após a depreciação do real frente ao dólar, que tornou o preço do grão mais atraente no mercado internacional. O dólar vem se sustentando entre R$ 3,15 e R$ 3,20, o que está garantindo as cotações em torno de R$ 55,00 a R$ 56,00 a saca, ainda um preço bom e acima dos custos de produção. Mas bem abaixo da cotação de maio do ano passado, quando a saca de soja era comercializada por R$ 61,40 em média, comparou o técnico. 

Garrido acredita que daqui a setembro, período em que a América do Sul é a única fornecedora de soja do mundo, a comercialização de soja seguirá tranqüila aos produtores. 

FEIJÃO - A segunda safra de feijão já foi colhida em 76% da área plantada e o potencial estimado está se consolidando com um volume de 400 mil toneladas. Segundo o engenheiro agrônomo Carlos Alberto Salvador, a produtividade nessa safra foi à melhor dos últimos anos, passando de 1.519 quilos por hectare no ano passado para 1.875 quilos por hectare nesse ano, um avanço de 23%. 

Cerca de 55% da safra foi vendida e os preços do feijão de cor ainda estão compensando o produtor, apesar da redução nas cotações, disse o técnico. O feijão de cor foi vendido, em média, por R$ 106,82 a saca no mês de maio, uma queda de 25,4% em relação ao início do ano. 

Segundo Salvador, começa a preocupar a comercialização do feijão preto, onde a queda nas cotações está um pouco mais acentuada. O feijão preto foi vendido em média por R$ 92,42 a saca em maio, uma queda de 26,7% em relação aos preços vigentes no inicio do ano. 

MILHO - A colheita da segunda safra de milho já começou, com 2% da área colhida que corresponde a 31 mil hectares. Com uma expectativa de clima mais ameno nesse inverno, a estimativa do Deral é de boa produção, podendo ser colhida R$ 10,4 milhões de toneladas de grão. Se confirmada, será a maior produção da história da segunda safra, informou o administrador Edmar Gervásio. 

As duas safras de milho no Paraná devem render um total de 15,1 milhões de toneladas, que representam um bom volume de produção. No cenário atual, há preocupação com a comercialização do grão porque os preços estão sofrendo pressão com a expectativa de produção maior de milho tanto no Paraná como no Brasil. O milho está sendo vendido, em média, por R$ 19,50 a saca, cobrindo em parte o custo de produção. 

Segundo Gervásio, se essa produção esperada não se confirmar, por conta de um problema climático com risco de acontecer com a chegada do inverno, aí sim poderá haver aumento na cotação do grão. O técnico adianta ainda que há a possibilidade do Paraná exportar mais milho porque a Ásia está de olho na produção paranaense, principalmente a Indonésia e a Malásia, que são potenciais compradores do Paraná. 

De janeiro a abril, o Paraná exportou 611 mil toneladas de milho, volume 1,4% a mais do que em igual período do ano passado, quando foram exportados 603 mil toneladas. Cerca de 30% desse volume foram exportados para o Vietnã. 

SAFRA DE INVERNO - A safra de inverno está sendo plantada no Estado. O carro-chefe é o trigo e já ocupa 61% da área prevista que é de 1,32 milhões de hectares, uma redução de 5% em relação ao ano passado quando a cultura ocupou 1,35 milhão de hectares. Segundo o engenheiro agrônomo do Deral, Carlos Hugo Godinho, essa área ainda pode sofrer alterações porque toda a região Sul do Estado ainda não plantou o trigo. 

A safra de inverno, considerando a produção de aveia, canola, centeio, cevada, trigo e triticale, poderá render um adicional de 4,5 milhões de toneladas ao volume total de grãos produzido no Paraná. 

De acordo com Godinho, este ano o produtor de trigo não está muito animado com a cultura por causa do preço, que caiu muito. Nessa época do ano, que é um período de planejamento para a cultura, o peço do trigo estava R$ 42,00 a saca no ano passado e R$ 35,00 a saca este ano, o que faz o produtor a reduzir o plantio. 

A redução do plantio de trigo só não aconteceu na região Norte porque os produtores não conseguiram plantar o milho safrinha no espaço recomendado pelo zoneamento agrícola. O técnico ressalta que a expectativa de produção para o trigo este ano é boa porque as projeções climáticas não apontam para um inverno rigoroso, com geadas muito severas. A preocupação é com a chuva no período de colheita quando haverá a influência da corrente climática El Niño, que poderá prejudicar a colheita do trigo.